Spread entre aluguel e financiamento: o indicador que sinaliza explosões de demanda imobiliária
- Ronaldo Silva

- 17 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

No intricado universo do mercado imobiliário, existe um número que pode antecipar grandes movimentos de compra e venda: o spread entre o custo do aluguel e o custo do financiamento. Em termos simples, quando o custo de financiar um imóvel cai abaixo do que você pagaria de aluguel — em especial comparando juros, correções e custos totais — os incentivos econômicos mudam rapidamente. Essa dinâmica é o que podemos chamar de “imbalanced housing spread”, um sinalizador de que o ciclo pode estar virando e que a demanda por compra pode disparar.
Para entender por que isso importa, precisamos mergulhar primeiro no cenário macroeconômico que envolve juros e crédito no Brasil em 2025. A Taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), que é a taxa básica de juros da economia, está historicamente alta, em 15% ao ano, patamar não visto desde 2006, com pouca indicação de corte no curto prazo pelos formuladores de política monetária. (Reuters) Essa Selic alta influencia diretamente o custo do crédito imobiliário: quanto maior a Selic, mais caro tende a ser financiar um imóvel, seja pela taxa nominal dos bancos, seja pelos indexadores como a TR (Taxa Referencial) em contratos antigos.
A lógica do spread pode ser expressa de forma direta: suponha que o custo total mensal de financiar um imóvel (juros + TR + demais encargos) resulte, em termos percentuais, em algo como 11% ao ano. Se numa cidade o aluguel médio representa um custo equivalente a 6% a 8% do valor do imóvel por ano, a compra torna-se mais barata em termos relativos do que alugar — especialmente quando ajustamos por valorização esperada e benefícios fiscais. Esse é o ponto em que o “imbalanced housing spread” se torna economicamente relevante.
Em uma cidade como Londrina, no interior do Paraná, esse equilíbrio é particularmente sensível. Estudos e dados regionais mostram que a valorização imobiliária tem sido significativa: Londrina alcançou cerca de 18% de valorização em 2024, sendo uma das cidades com maior incremento no país e atraindo muitos investidores em busca de retorno de capital. (LinkedIn) Além disso, a baixa disponibilidade de estoque — inferior a 9 meses ideal de oferta — intensifica a competição por unidades existentes. (LinkedIn)
No segmento de aluguel em Londrina, a demanda tem pressionado os preços em alta, acima da média nacional, com aumentos de dois dígitos. (Folha de Londrina) Isso significa que o denominador do spread — o custo de locação — tem subido, aumentando o ponto de equilíbrio em que financiar começa a “vencer” o aluguel. Essa pressão vem de várias direções: movimento de jovens profissionais que preferem mobilidade à posse imediata, aumento de famílias que não conseguem poupar a entrada diante de juros altos, e investidores buscando renda passiva em apartamentos a venda em Londrina com boa taxa de retorno.
Para calculadores e analistas, medir o “imbalanced housing spread” exige uma fórmula que leve em conta variáveis como:
• Custo efetivo do financiamento: isso inclui a taxa de juros contratual acrescida da TR (quando aplicável), com ajustes conforme o sistema de amortização (SAC ou Price).
• Custo de oportunidade do capital: muitas vezes medido pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que reflete o retorno que o investidor teria se aplicasse esse capital em renda fixa.
• Aluguel médio local: em termos percentuais do valor do imóvel, expresso como yield (rendimentos de aluguel sobre o valor do imóvel).
• Custos adicionais: IPTU, taxa de condomínio, seguro habitacional e eventuais custos de manutenção, que impactam tanto locação quanto compra.
Uma forma simplificada de visualizar esse spread é transformar todas essas variáveis em um percentual anual comparável. Por exemplo, um financiamento com custo total de 10,5% a.a. (juros + TR) pode ser comparado a um rendimento de aluguel de 7% a.a. do preço do imóvel — se o custo efetivo de financiamento for menor que a taxa de aluguel, comprar pode ser mais vantajoso do que alugar, incentivando a demanda por imóvel próprio. Quando esse spread se amplia a favor do financiamento, historicamente há um aumento na procura por crédito imobiliário e no volume de transações.
Essa matemática se reflete nas tendências nacionais: mesmo com a Selic elevada e crédito mais caro, houve crescimento nas originações de crédito imobiliário e expansão em blocos como Minha Casa, Minha Vida, além de ajustes nos sistemas de reservas e exigências bancárias. (Terra) Isso aponta que uma redução futura da Selic — que analistas e o mercado preveem para 2026 — poderia ampliar ainda mais essa propensão, diminuindo o spread e favorecendo fortemente a compra.
No contexto desse cenário, construtoras como Plaenge e Vanguard têm se destacado em oferecer produtos que atendem tanto ao comprador final quanto ao investidor, com opções que equilibram custo, localização e valorização potencial. A entrada desses players em mercados regionais como Londrina amplia o leque de opções para quem quer aproveitar momentos em que o “imbalanced housing spread” se torna favorável à compra.
Portanto, entender e acompanhar o spread entre aluguel e financiamento é essencial para antecipar ciclos no mercado imobiliário. Ele revela não apenas quando pode ser mais vantajoso comprar versus alugar, mas também indicadores de demanda futura e pressões de oferta que moldam preços e oportunidades.
Se você está considerando investir, comprar ou apenas entender melhor esse fenômeno, posso te ajudar a interpretar esses sinais com base na realidade atual de Londrina e nas projeções para os próximos anos. Atuando como corretor parceiro das construtoras Plaenge e Vanguard, ofereço análises personalizadas e acesso a unidades que melhor se alinham com sua estratégia de mercado imobiliário e investimentos. Vamos juntos transformar dados em decisões inteligentes?
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